DADOS HISTÓRICOS
 
Foi em 1628 que Dom João Melo, bispo-conde de Coimbra, doou a mata do Bussaco aos primeiros Carmelitas que queriam fundar uma casa de Deserto: o "bos sacrum" (é uma das etimologias possíveis do nome do sitio). Duas pessoas com os conhecimentos de base indispensáveis deram o início à construção do convento no dia 7 de Agosto de 1628: o Frei Alberto da Virgem, irmão donato da Ordem e natural de Chaves, que conhecia arquitectura, e o irmão António das Chagas, oficial de pedreiro. A vida regular da comunidade começa oficialmente no dia 19 de Março de 1630. Paralelamente à vida religiosa, os Frades Carmelitas desenvolverão intensa actividade de plantio e conservação da mata.
 
Essa última teve muitas atenções até ao Papa Urbano VIII que publicou, no dia 28 de Março de 1643, uma Bula que proìbia “sob pena de excomunhão ipso facto incorrenda, que daqui em diante nenhuma pessoa de qualquer autoridade que seja, se atreva sem licença expressa do Prior, que ao tempo for do dito Convento, a entrar na Clauzura delle para efeito de cortar árvores de qualquer casta que sejão ou fazer outro daño”. Essa Bula está gravada numa lápide das Portas de Coimbra.
 
O acontecimento com mais importância foi, sem dúvida, a terceira tentativa de Napoleão, imperador de França, de impôr o seu poder em Portugal. Em Maio de 1810, 60.000 homens comandados pelo Marechal Masséna passam a fronteira do país em direcção a Lisboa. No dia 27 de Setembro, foi parado no Bussaco por 50.000 homens, tropas anglo-portuguesas sob as ordens de Sir Wellesley, futuro Lord Wellington.
 
A história conta que o Sr. Wellington dormiu numa cela do Convento, nas noites antes e depois da batalha, deixando o seu cavalo atado numa oliveira que ainda hoje existe junto ao Palácio. Frente à resistência das tropas luso-inglesas, Masséna decide contornar o Bussaco, mas fica detido na sua posição durante cinco meses e, em Março de 1811, começa a retirada. Em Outubro, o último esforço de Napoleão para conquistar as terras portuguesas acaba com a passagem da fronteira do Marechal Masséna e das suas tropas. Os Carmelitas logo começam a tratar as feridas causadas pela batalha: as dos franceses junto com as muito mais profundas, da mata e do convento.
 
 

 
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